“CUIDADO COM O ANJO” – Um olhar sobre a estreia

Publicado em 01/04/2013 por

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As novelas de Thalía – Maria Mercedes (1992), Marimar (1994) e Maria do Bairro (1995) – são os principais sucessos internacionais da mexicana Televisa, que vem tentando desde então ressuscitar essa tendência nos folhetins que se seguiram. O SBT apela para o mesmo artifício com a estreia, na tarde de hoje (segunda-feira, 1), do dramalhão inédito Cuidado com o Anjo, em substituição à mal-sucedida reprise de Jamais te Esquecerei. Afinal, não soa nada estranho que, com os bons índices alcançados pela enésima repetição da Trilogia das Marias, Silvio Santos opte por um formato parecidíssimo ao que vem se consagrando em sua faixa vespertina.

Não é difícil reconhecer as características de Thalía e suas “Marias” impregnadas por toda Cuidado com o Anjo, em especial neste primeiro episódio. Não bastasse a mistura de inocência, picardia e sofrimento reunidos no perfil da protagonista, a atriz Maite Perroni (ex-cantora da banda RBD) parece disposta a imitar Thalía em cada gesto da dócil Malu. Atuações secundárias exageradas, como as de Evita Muñoz (Candelária) e Naiea Norvind (Viviana), também contribuem para esse quadro.

Comparações à parte, Perroni ainda não mostrou a que veio. Ela, que emplacava seu primeiro papel depois da Lupita de Rebelde (2004-2006), esteve bem em diversas cenas, mas ainda precisa convencer mais em outras, sobretudo as mais dramáticas. Seu par, o venezuelano William Levy (Acorrentada, CNT), pareceu muito opaco como o psiquiatra João Miguel, um personagem rico cujas nuances ele poderia explorar melhor, mesmo em um contexto tão clichê e melodramático.

Apesar dos ingredientes mexicanos tradicionais tão carregados, Cuidado com o Anjo flerta com alguns tons de modernidade e diferença que devem dar certo. O núcleo dos amigos artistas de Malu, por exemplo, tem um gostinho de novidade. Além de ser um centro de boas possibilidades dramáticas para a ala secundária da trama, deve conferir certa jovialidade à novela que ora soa tão antiquada.

O aspecto técnico é outro acerto, atestando a evolução da Televisa nesse sentido, que era tão precário nos anos 90. A cenografia tem muita qualidade, a iluminação idem. Tomadas abertas, como as em que Malu faz estripulias pela Cidade do México (mostrada em locações reais), foram de um bom gosto irrepreensível, inclusive por mostrarem locações reais da capital mexicana.

O elenco secundário também chama a atenção. Jorge de Silva, por exemplo, que temos visto tão canastrão como o Beto de Rosalinda, já aparece mais natural na pele de Eduardo, melhor amigo do galã. Ricardo Blume, o eterno “tio Louro” de Maria do Bairro, sobressaiu-se pela naturalidade de suas primeiras cenas como o milionário Patrício Velarde, sobretudo por contracenar com o insosso Levy. Laura Zapata mostra toda sua experiência em cena, conferindo o tom certo à azeda Ofélia. A atriz, aliás, há tempos vinha devendo uma boa antagonista a seus seguidores.

Cuidado com o Anjo peca pelo excesso de lugares-comuns, mas certamente é o tipo de novela que, embora com uma fórmula algo ultrapassada, ainda tem seu público cativo no México, no Brasil e em todos os lugares. Mesmo porque carga emotiva, ao que parece, não vai lhe faltar – e isso é o principal quando se trata de telenovelas.

(Felipe Brandão)

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