“Salve Jorge” terminou como sempre fez: decepcionando

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Não é novidade para ninguém que Salve Jorge foi uma trama decepcionante. Muitos foram os defeitos no decorrer deste trabalho de Glória Perez, os quais serão abordados de forma mais ampla em um texto específico. Por outro lado, sempre resta uma esperança de que, por pior que tenha sido novela, ao menos o último capítulo consiga empolgar um pouco o público.

Ledo engano. A autora da inesquecível O Clone (2002) estava tão desencontrada que nem mesmo deu conta de um final digno para sua história – e o restante da equipe, seja por má vontade ou por estar contagiada pelo clima de desânimo nos bastidores – correspondeu à altura.

As sequências da prisão dos traficantes ficaram muito aquém da expectativa que geravam. Faltou emoção. Ao invés de investir na adrenalina que o público queria ver, Glória Perez preferiu dar um toque descabido de humor ao episódio, incluindo um diálogo bobo e sem sentido entre Irina (Vera Fischer) e Helô (Giovanna Antonelli) no momento da prisão da primeira. E a trilha sonora então? A polícia e as traficadas comemorando com um frevo como som de fundo… Só faltou um show ao vivo do Latino para ovacionar o bota-fora dos traficantes.

Agora, o maior mico mesmo fica pela prisão de Lívia (Cláudia Raia) no Leste Europeu. Como se já não tivesse sido infantiloide o suficiente vê-la reclamando para Arnold (João Signorelli) da ausência de ar condicionado e frigobar no muquifo onde ia se esconder, eis que a milionária mais procurada do continente ficcional resolve aparecer trabalhando como stripper em um cabaré de quinta metido a Moulin Rouge! E, claro, é detida por Helô e Riva (Rita Elmôr) antes mesmo de poder concluir o show.

lohanna russo

Outros entrechos interessantes foram mal aproveitados, como o reencontro de Theo (Rodrigo Lombardi) com a filha, Jéssica Vitória, e a prisão de Rosângela (Paloma Bernardi). Os queridos e controversos Helô e Stênio (Alexandre Nero) também mereciam um desfecho menos superficial, à altura da empatia que lograram na audiência. O segredo de que Celso (Caco Ciocler) era filho do finado Gustavo Flores Galvão, que poderia ter gerado semanas ou meses de bons capítulos, só foi ter seu começo, meio e fim literalmente na última semana, quando, francamente, já nem precisava ter acontecido.

Com tantos defeitos, o único destaque real desse último capítulo ficou por conta das cenas entre Jô/Lohanna (Thammy Miranda) e Russo (Adriano Garib). Primeiro, porque o beijo deles foi mais do que esperado, e não deixou nada a desejar. Thammy segurou direitinho as cenas em que bancava a “gostosona” para Russo antes de prendê-los, provando seu amadurecimento artístico ao longo da novela. Muito boa também a sequência seguinte, em que Jô leva as garotas traficadas para baterem em Russo. A emoção dessa revanche se via estampadas nos rostos, nas palavras e nos tabefes das atrizes Nanda Costa (Morena), Laryssa Dias (Waleska) e das demais, mérito também da direção de Marcos Schechtmann.

Embora não deixe de ser uma decepção, o último capítulo de Salve Jorge apenas concluiu aquilo que a novela foi do início ao fim: uma trama confusa, fraca, sem graça, sempre pronta para prometer muito e cumprir pouco. O público merecia coisa melhor.

(Felipe Brandão)

  • Ótima matéria!

  • PAULO EDUARDO

    ONDE JÁ SE VIU UMA NOVELA COM PERSONAGENS TURCOS QUE FALAM TÃO BEM A LÍNGUA PORTUGUESA SEM SOTAQUE ALGUM.´SOMENTE A REDE GLOBO MESMO.

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