“Joia Rara”: Uma bela embalagem, mas um fraco conteúdo

Joia-Rara11Joia Rara estreou cercada de grandes expectativas. Afinal, Thelma Guedes e Duca Rachid haviam escrito a maravilhosa Cordel Encantado e agora prometiam uma nova trama de época abordando o mundo dos budistas. Joia Rara se destacou pelos figurinos belíssimos, cenários deslumbrantes e uma reconstituição de época perfeita. Pena que a trama que chegou ao fim ontem se perdeu tanto a ponto de deixar os budistas em segundo plano. A repetição de vários nomes de Cordel também comprometeu. Estavam lá Bianca Bin, Bruno Gagliasso, Reginaldo Farias, Luiza Valdetaro, Marcos Caruso e Domingos Montagner entre outros.

Em Joia Rara tivemos ótimas atuções como as de Ana Lúcia Torre, Carmo Dalla Vecchia, José de Abreu, Marcos Caruso, Bianca Bin, Luis Gustavo, Nathalia Dill, Ana Cecília Costa e Nicette Bruno, por exemplo. A protagonista Mel Maia também se saiu bem e não sentiu o peso de ser o principal nome de uma novela. Só que Joia Rara apostou em inúmeros clichês. Estavam lá a filha que quer vingar a morte do pai, a personagem que sofre acidente e é dada como morta, o filho bastardo do patrão com a empregada, o grande vilão que é internado em hospital psiquiátrico, foge e sequestra a protagonista, etc. O capítulo final teve um excesso de casamentos e uma participação especialíssima de Glória Menezes.

O hilário núcleo do cabaré rendeu ótimas cenas. Pena que Juliana Lohmann (Belmira) foi tão mal aproveitada que até a transformação de sua personagem de patinho feio para cisne não gerou maior atenção do público. O Joel de Marcelo Médici divertiu o público, mas ficou forçado demais ele acabar ao lado de Creotina (Luana Martau). Assim como Sonan (Caio Blat), que largou seu passado de monge para casar e ter um filho. Como já dito, o núcleo budista que seria o centro da história passou quase a não ter importância alguma.

Outro par-romântico que não funcionou, pela falta de química dos atores, foi entre Artur (Ícaro Silva) e Laura (Cláudia Ohana). O que mereceu destaque também foi a questão da causa operária através de Mundo (Domingos Montagner) e Toni (Thiago Lacerda), uma questão pouco explorada nas novelas. Por outro lado, o excesso de loiras platinadas foi um ponto negativo. Até porque todas elas frequentavam o mesmo núcleo.

A licença poética permitiu que alguns personagens cantassem músicas posteriores aos anos 40, década em que corre grande parte da trama. Ao contrário de outras novelas que trataram de religião – no caso, a espírita como A ViagemEscrito nas EstrelasAmor, Eterno Amor -, Joia Rara não conseguiu abraçar o público nos ensinamentos budistas. Talvez, por isso, até monges tenham frequentado o cabaré assistindo um show no capítulo final. Joia Rara teve, em suma, uma belíssima embalagem com todo cuidado e requinte, mas a história decepcionou quem assistiu.

Matéria publicada no Portal Overtube em 05/04/2014 às 9h31 AM.

 

Top
%d blogueiros gostam disto: