Crítica: “GERAÇÃO BRASIL”, uma novela para homens e mulheres

Isabelle Drummond - Portal Overtube

Com a pretensão de ser “a novela do ano”, entrou no ar ontem (segunda-feira, 5) na Rede Globo a novela Geração Brasil, escrita por Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, os mesmos autores de Cheias de Charme. Para deixar o entusiasmo e a ansiedade passarem, o que poderia influenciar no resultado desta crítica, chega hoje ao ar no Portal Overtube a dita cuja. Afinal, ninguém merece aquelas cri-críticas finalizadas sem que a novela tenha de fato ido ao ar.

Com grande potencial na sua história e grande repercussão na Internet, as chamadas e a divulgação da trama deixaram a desejar no quesito de cumprir esta promessa, pois nem de longe foi demonstrado na campanha de lançamento todo este potencial, o que refletiu diretamente na audiência marcada pelo primeiro capítulo, inferior ao ibope da antecessora Além do Horizonte.

Mas, desde já se vê uma clara alusão à vida de Steve Jobs e Mark Zuckerberg, trazendo uma boa notícia: finalmente uma novela feita para atrair tanto homens quanto mulheres, já que lembra um pouco filmes como A Rede Social. É que nem todas as mulheres gostam daquele típico melodrama pastelão. Imagina então os homens? Em suma, o tema tecnologia veio à calhar, trazendo um novo suspiro para a dramaturgia global necessitada de assuntos inovadores.

Com um cenário deslumbrante, foi apresentado o reality show que moverá o decorrer da trama, seguido de dois flashbacks de poucos meses atrás, técnica interessante para dar agilidade e compreensão à história. Quem ficou perdido no meio de tudo isso foi o cantor Thiaguinho, que apresentou o programa em questão. Sem carisma e sem boa dicção, a participação dele foi um tanto desnecessária como ator.

De repente, somos levados para os Estados Unidos, com uma direção de fotografia impecável na cidade de San Francisco, a Califórnia. Por lá o ritmo da trama ganha outro movimento, o de um seriado americano. Para nós, sedentos por uma boa novela, tudo impecável. Mas, e para a grande massa? A cada boa inovação da Rede Globo, um grande fracasso. As pessoas pedem inovação, mas rejeitam todas as inovações. Malhação Conectados e Além do Horizonte mandam aquele abraço! Será que a grande massa vai aceitar uma novela com ritmo de seriado?

Acrescente ao tempero então diálogos em espanhol, inglês e português. Ao menos, os personagens da novela falam fluentemente estes idiomas e a direção resolveu apostar até mesmo em legendas. Um ponto positivo, já que estrangeiros com um português impecável, melhor que o dos próprios brasileiros, fizeram feio em outras novelas da emissora carioca. Mais positivo ainda por tornar a atuação intragável da antipática atriz Débora Nascimento em uma grata surpresa como a atriz mexicana Maria Vergara. Ainda tem o sotaque natural de Luiz Carlos Vasconcelos, este mesmo que ficou artificial demais em Chandelly Braz.

Já as sequências do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Recife e de Navegantes foram ágeis tanto em imagem, som ou diálogos. A velocidade dos acontecimentos é um diferencial de Geração Brasil, pois ninguém merece uma mesma cena levando duas semanas para acontecer, não é mesmo? A cereja do bolo foi a apresentação dos personagens com os nomes dos mesmos na tela para fixar quem é quem na mente daquelas pessoas que não estiveram atentas antes na rede.

Apesar de o nome da novela ser Geração Brasil e o folhetim todo americanizado, promete-se que a geração tecnológica ganhará todo o seu foco nas terras tupiniquins, o que justifica o tema de abertura ser a música País do Futebol, de MC Guimê. O funk ostentação do cantor é uma música chiclete ao invés daquele funk intragável e foi uma ótima escolha para ser o tema da abertura. Só que a edição cortou as melhores partes da letra, tornando a música repetitiva demais. No flow, no flow, no flow, no flow, no flow, ops! Além disso, a abertura não seguiu a onda da geração brasileira, focando as suas ilustrações muito nos Estados Unidos e pouco no Rio de Janeiro. Deixou a desejar neste ponto, apesar de extremamente empolgante.

A novela investe no primeiro capítulo também naquele típico exibicionismo do casal morno classe A que cansa o telespectador. Não é por menos que a trama promete grandes movimentações no núcleo principal por conta de um grande segredo do passado do protagonista Jonas Marra (Murilo Benício), o que influenciará diretamente em sua relação com Pamela Parker-Marra (Cláudia Abreu). Já sobre os personagens, nada a desejar, pois o mocinho anti-herói imperfeito quebrou a “saga dos bananas” que vinham sido apresentados em todos os horários de novelas da Rede Globo.

A equipe de caracterização da novela fez o brilhante trabalho de descaracterizar o arquétipo de todos os atores do time, visto que o elenco é uma mistura completa de Cheias de Charme com Sangue Bom. O que poderia ser um desastre, já que a repetição excessiva de elenco já cansou o público há muito tempo, foi uma necessária surpresa. Destaque total para Isabelle Drummond com os cabelos loiros. A intérprete da patricinha Megan Lily se diferencia completamente de todas as outras personagens que interpretou em sua carreira. Já a personagem dela se diferencia completamente de todas as outras patricinhas já apresentadas nas novelas. Um misto de doçura e rebeldia sem cara feia. É a grande promessa da trama.

São pontos positivos nas escalações, nos seus devidos personagens, os atores Lázaro Ramos, Débora Nascimento, Rodrigo Pandolfo, Humberto Carrão, Gisele Fróes, Chandelly Braz, Joaquim Lopes, Luiz Carlos Miele, Luiz Carlos Vasconcelos, Danilo Ferreira, Max Lima e Ana Terra Blanco. Até mesmo Ricardo Tozzi, péssimo em Amor à Vida, encontrou o tom certo. Mas, quem brilhou linda e glamorosa foi Dorothy, a personagem transexual do ator Luís Miranda que cumpriu a sua missão de interpretar uma dama incrível e não um travesti típico de novelas de humor.

Os desastres ficaram por conta de Samuel Vieira, Murilo Benício, Cláudia Abreu, Taís Araújo e principalmente do inexpressivo Fiuk. O trio de diretoras da trama teve a audácia de substituir Marco Pigossi por ele. Mas, oi? É que todos estes não tiveram a oportunidade se diferenciar ainda do que já fizeram antes por causa da preocupação em apresentar o enredo da história. Mas, ainda é só o começo da saga, afinal, todo o potencial previsto e notável virá a partir do segundo capítulo. Quem fez falta neste primeiro momento foram Renata Sorrah e Titina Medeiros, que apareceram fazendo figuração na primeira cena da trama.

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