“IMPÉRIO” – Um olhar sobre a estreia

chay suede império
Chay Suede vive o protagonista de “Império” em sua versão jovem

Portal Overtube – Apontada como a salvação do horário nobre da Globo, Império estreou ontem (segunda-feira, 21) cumprindo menos do que prometia. Embora infinitamente mais interessante que Em Família, a história de Aguinaldo Silva pecou em seu primeiro capítulo por cair em diversos lugares-comuns, tanto das telenovelas em geral como das obras do autor, e trocou o que podia ser uma estreia realmente ágil e empolgante por um ritmo algo arrastado.

A história começa nos dias atuais, numa abertura com bons diálogos, ótimos enquadramentos e movimentos de câmera, e atuações chamativas de Alexandre Nero (José Alfredo, o protagonista) e Andreia Horta (Maria Clara, sua filha). Corta-se então para um longo flashback de 20 anos atrás, para contar como José Alfredo – vivido na juventude pelo ator e cantor Chay Suede – chegou aonde chegou e se tornou o rico empresário que é hoje.

A narrativa do romance de José Alfredo com sua cunhada, Eliane (Vanessa Giácomo), aconteceu de forma bastante compilada, atendo-se ao necessário para o pleno entendimento dos personagens – mas nem por isso soube fazer-se atrativa. Talvez pelo excesso de clichês românticos nos diálogos entre o casal, talvez pelo tema ultra-batido na dramaturgia – paixão de dois irmãos por uma mesma mulher –, o fato é a que a primeira parte do prólogo de Império foi um tanto sonolenta.

Chay Suede foi a grande decepção do episódio. O ator parecia pouco à vontade no universo de seu personagem, a começar pelo sotaque pernambucano forçado. A pouca desenvoltura dele em cena acabou por atrapalhar a empatia do público com a história que era contada, uma vez que Chay era peça fundamental nesse contexto. Felizmente, o mesmo não se pode dizer de seus colegas de cena.

Marjorie Estiano marcou, intensa e perfeita nas primeiras cenas da vilã Cora. Deu saudade antecipada dessa jovem e ótima atriz, que será substituída na segunda fase pela também incrível Drica Moraes.  O problema é que foi difícil, por outro lado, encarar Cora como vilã quando esta parecia a única sensata e ajuizada diante do destempero romântico do casal de amantes. Outra grata surpresa foi Thiago Martins, artista promissor que brilhou como o brutamontes Evaldo, e Vanessa Giácomo, a qual também segurou bem os conflitos da indecisa e passiva Eliane.

A segunda parte do episódio já correu de forma mais ágil e interessante: depois de perder de vez Eliane, José Alfredo conhece o milionário Sebastião Ferreira (Reginaldo Faria) e inicia a partir daí sua trajetória rumo à riqueza. Chay Suede, inclusive, viu-se notavelmente mais afiado nas sequências em que, de arma em punho, tentava defender Sebastião de seus inimigos – um bom momento de ação, apesar do sangue com aparência de geleia de Sebastião moribundo. O episódio encerrou-se com uma participação mais que especial e promissora de Regina Duarte, que promete causar mais boas surpresas nos capítulos que se seguem.

Engraçado observar que o protagonista de Império remete bastante a outro trabalho de Aguinaldo Silva, o retumbante fracasso Suave Veneno (2000) – Valdomiro Cerqueira (José Wilker) também viera de baixo antes de erguer seu “império do mármore”, e suas três filhas eram tão ambiciosa em suceder o pai como os rebentos de José Alfredo o serão. Ainda assim, é cedo para afirmar qualquer coisa mais definitiva sobre Império. Afinal, enquanto não passar para a segunda e definitiva fase, o folhetim ainda nem terá começado realmente.

Top
%d blogueiros gostam disto: