“ALTO ASTRAL” – Um olhar sobre a estreia

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Cláudia Raia foi um dos destaques da estreia de “Alto Astral”, como a falsa vidente Samantha

Portal Overtube – Uma nova história começa, e a péssima impressão deixada por Geração Brasil fica para trás – para dar lugar à melhor das novidades. Alto Astral, estreada ontem (segunda-feira, 3) na faixa das 7 da Globo, trouxe de volta o misto de tradicionalismo e qualidade que há tempos vinha fazendo falta no horário.

Em sua primeira novela na Globo como autor titular, Daniel Ortiz em nada parece um estreante – o que de fato não é: o ex-colaborador de Silvio de Abreu em Guerra dos Sexos (2012) já exerceu a função de novelista principal em países como México, Peru e Emirados Árabes. Alto Astral surpreende pelo texto ágil e bem-amarrado, com cenas dinâmicas e objetivas sem perder de vista a emotividade. O humor também não fica atrás – a sequência em que Samantha (Cláudia Raia), vidente fajuta, provoca a queda de uma ponte para promover suas “previsões” foi um dos grandes destaques do episódio, mérito também da excelente direção de Jorge Fernando.

A apresentação das histórias e personagens mostrou-se direta e eficaz. Daniel Ortiz ateve-se em enunciar o núcleo principal da história, com pouca atenção às tramas secundárias – o que é ótimo, pois evita cansar o público e reserva algumas novidades para os capítulos seguintes. O romance dos protagonistas, vividos por Nathália Dill (Laura) e Sérgio Guizé (Caíque), foi bastante focado e já garantiu ótimos momentos ao público antes mesmo do primeiro encontro entre eles – que só aconteceu no final do episódio, ao melhor estilo conto-de-fadas moderno.

Guizé chega afinado na pele de Caíque. Bom ator que é, tem tudo para fazer jus ao posto de “herói” da trama. Já Nathália, por outro lado, viu-se um pouquinho apagada como a jornalista Laura, algo estranho para a reconhecidamente talentosa atriz. O problema talvez esteja no tom idealista da personagem, que não apenas soa forçado – Laura se gaba de trabalhar mais por “amor à profissão” do que por dinheiro, mas faz questão de cobrir as previsões fajutas de Samantha porque, em suas próprias palavras, “vende notícia” – como dá sinais de que pode tornar a mocinha chata aos olhos do público.

O pano-de-fundo “fantasmagórico” se vê muito bem explorado, em uma abordagem cômica, lúdica, distinta à que costumamos ver nas novelas das 6 da tarde. Longe de fazer jus ao rótulo de “novela espírita”, Alto Astral dá preferência a uma abordagem “hollywoodiana” do tema, mais baseada em clichês ou lendas do senso comum que em alguma doutrina religiosa específica – ao menos dentro do que se viu até agora.

Sem grandes pretensões e apostando em ingredientes que costumam ser sucesso certo, Alto Astral é uma novela com tudo no lugar. Um “mais do mesmo” charmoso, agradável e que vem a calhar no momento atual da teledramaturgia brasileira, marcado por produções que prometiam muito e cumpriram pouco.

  • Texto impecável… Só reiteraria da questão protagonista, nenhuma mocinha de novelas atuais se mostram eficazes quando soam “songamonga”, ter alguém de fibra, garra e amor ao que se faz (A personagem), já se tenta quebrar o estereotipo do que se foi criado de “casal margarina” de novelas, que por sinal, sempre são ofuscados pelo vilões, que sempre acabam ganhando destaque.

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