LUZ, CÂMERA, 50 ANOS – Ágil, mas pouco marcante, “A Teia” não viu dificuldade em se transformar em telefilme

Abrindo a segunda semana do Festival Luz, Câmera, 50 Anos na Globo, a reexibição de A Teia fugiu um pouco ao tom nostálgico proposto pelo bloco comemorativo. Pudera: a atração foi exibida como seriado há menos de um ano na Globo e, além do mais, não teve a aura marcante de boa parte dos demais títulos.

A história gira em torno da caçada do delegado Jorge Macedo (João Miguel) ao criminoso Marcelo Baroni (Paulo Vilhena), líder de uma quadrilha de traficantes de armas e autor de diversos delitos. A trama é inspirada na história real do bandido Marcelo Borelli, que ficou famoso no início dos anos 2000 por sequestrar um avião do aeroporto de Brasília e por torturar uma criança de 3 anos com requintes de crueldade, como forma de se vingar de um comparsa.

A transposição do formato de série semanal para telefilme é feita sem muita dificuldade, já que A Teia ambicionava desde sua concepção trazer um pouco da linguagem cinematográfica para a TV. A investigação criminal que dá mote à história torna-se ainda mais eletrizante na reedição clipada de seus 10 capítulos originais. Perde-se, porém, em termos de aprofundamento psicológico – os conflitos pessoais e ético-profissionais de Macedo, por exemplo, são praticamente suprimidos nesta revisitação da obra.

O elenco, equilibrado, é composto no geral por interpretações contidas, porém contundentes. A exemplo de João Miguel e Andreia Horta, que defendem bem seus personagens sem buscar o estrelismo. É Paulo Vilhena, porém, quem mais chama a atenção pela interpretação exata de Baroni, cuja insanidade se destaca em cada olhar ou gestual, sem cair na caricatura. Destaque ainda para a dupla nem-tão-dinâmica dos policiais interpretados por Fernando Alves Pinto (Libânio) e Michel Melamed (Taborda) e para Ângelo Antônio (Germano, agente da Polícia Federal), entregando uma atuação diferente do bom-mocismo que costuma adotar nas novelas da casa.

A Teia provavelmente não foi uma das obras mais marcantes da Globo em suas cinco décadas de existência, o que leva a crer que sua revisitação se deva mais à curta duração e alta carga de ação do formato original do que por ter sido, de fato, um marco para a audiência que prestigia a emissora. Um título bom, de qualidade, isso é inegável – mas talvez ínfimo entre tantos outros melhores.

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