Crítica: “MIL E UMA NOITES”, novela turca da Band, tem a cara do sucesso

[whatsapp]

Produzida originalmente na Turquia, a nova novela da Band, Mil e Uma Noites, estreou ontem (segunda-feira, 9) para trazer ares de novidade ao hall dos folhetins estrangeiros veiculados na TV brasileira. Ou talvez nem tanta novidade assim. A produção asiática “inova” por ter em todos os sentidos a “cara” de seu país, dos figurinos à trilha sonora. Por outro lado, revisita diversos clichês da dramaturgia universal e já apresenta, de cara, quase todos os vícios e virtudes das novelas estrangeiras que costumam estourar por aqui.

A história de Mil e Uma Noites tem por figura central a bela e sofrida Sherazade (Bergüzar Korel), jovem arquiteta que trabalha para a construtora do misógino e egocêntrico Onur Aksal (Halit Ergenç). Viúva e desprezada pela família do finado marido, Sherazade enfrenta ainda o drama de ver o filho pequeno, Kaan (Efe Çinar), padecer de leucemia. Como seu sogro Burhan (Metin Çekmez) se recusa a emprestar o dinheiro para salvar a vida do próprio neto, Sherazade não tem opção senão aceitar a proposta de seu chefe de transar com ele em troca da quantia necessária para o transplante de Kaan. O problema é que, após a noite de amor, Onur se descobrirá apaixonado por Sherazade e se proporá a conquistar o coração da mulher a quem antes humilhou.

O primeiro capítulo apresentou sequências ágeis e carregadas de drama, com direito a muitas externas. Destaque também para a cenografia – alguns ambientes, como a mansão do sogro da mocinha, chegam a ser suntuosos. Os diálogos são rasos, e também não existe muito aprofundamento no perfil psicológico dos personagens – nada, porém, que atrapalhe o desempenho e a proposta da novela. Alguns elementos consagrados da teledramaturgia latina, como os núcleos familiares mais rígidos e conservadores, repetem-se aqui de forma até mais convincente, dado o contexto sociocultural dos países orientais. Por outro lado, a carga dramática de algumas cenas – e atores, como Tomris Incer (Nadide, sogra de Sherazade) – chegam a lembrar um pouco os folhetins da Televisa.

Com respeito ao elenco, ainda é cedo para dizer muita coisa. Halit Ergenç, o galã, parece bastante frio em cena, o que talvez seja condizente com essa primeira fase do personagem, antes de se apaixonar por Sherazade. No entanto, cabe destacar o brilho da atriz principal: a turca Bergüzar Korel chama a atenção tanto pela beleza quanto pela expressividade em cena, dando o tom exato de cada drama vivenciado por Sherazade neste primeiro capítulo – e olha que não foram poucos. A personagem, aliás, tem tudo para não ser uma protagonista plana, alternando-se entre momentos de fragilidade e determinação.

Mil e Uma Noites não vem com a intenção de trazer nada de novo em termos de dramaturgia, mas sim de entreter com uma fórmula tão repetida como certeira. O típico “mais do mesmo”? Sim. Mas sem sombra de dúvida com a cara do sucesso.

Top
%d blogueiros gostam disto: