Taís Araújo se pronuncia sobre polêmica festa de Donata Meirelles

Taís Araújo se pronuncia sobre polêmica festa de Donata Meirelles

Donata Meirelles

Donata Meirelles

Na tarde desta segunda-feira (11), Taís Araújo se pronunciou sobre a festa de Donata Meirelles, diretora da Vougue Brasil. A temática comemoração causou polêmica e foi acusada de racismo.

Em seu Instagram, Araújo disse gostar de Donata, mas nem por isso deixou de criticar a temática.

“Ela é uma mulher que eu conheço e de quem gosto. O que aconteceu, no entanto, considero um erro, pois a festa foi feita por pessoas que trabalham com imagem e sabem o poder que uma imagem tem. Não acredito que o desejo deles tenha sido retratar o Brasil Colônia, um período duro, mas uma imagem fala mais que mil palavras e dez mil desejos. As comparações são inevitáveis. O que aconteceu ali é o que ocorre nesse país construído sobre o racismo, corpos, suor, sangue e lágrimas negros. Esse sofrimento é tão naturalizado que fica difícil para as pessoas que não se identificam com as moças de pé ao lado da cadeira sentirem o que a população negra sente”, declarou.

Taís alertou, também, que nem sempre precisará se pronunciar, já que mostra a luta contra o racismo ao longo de sua carreira.

“Reconhecer é um caminho. Errar faz parte do processo e o melhor do erro é ele ser o caminho para o aprendizado. Meu posicionamento sobre racismo estrutural tem sido dado em toda a minha carreira. Basta rolar o feed e você verá que me pronunciei em situações parecidas, como, por exemplo, quando uma marca fez uma estampa ‘celebrando’ a escravidão. Mas evitei comentar quando, recentemente, um menino branco foi fantasiado pela mãe em uma festa como escravo, lembra? Isto porque meu pronunciamento está dado e não mudou. Nem mudará, e não preciso repetir sempre”, escreveu.

 

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Muitos têm me perguntado sobre a festa da Donata. Bom, ela é uma mulher que eu conheço e de quem gosto. O que aconteceu, no entanto, considero um erro, pois a festa foi feita por pessoas que trabalham com IMAGEM e sabem o poder que uma imagem tem. Não acredito que o desejo deles tenha sido retratar o Brasil Colônia, um período duro, mas uma IMAGEM fala mais que mil palavras e dez mil desejos. As comparações são inevitáveis. O que aconteceu ali é o que ocorre nesse país construído sobre o racismo, corpos, suor, sangue e lágrimas negros. Esse sofrimento é tão naturalizado que fica difícil para as pessoas que não se identificam com as moças de pé ao lado da cadeira sentirem o que a população negra sente. Tudo fica natural, passa a ser “mimimi”. “Mas agora tudo é racismo?” Bom, lamento dizer que, se “nem tudo é racismo”, é sobre racismo que nossa sociedade foi construída. Mesmo que muitos de nós, negros, brancos e indígenas, não tenhamos consciência; mesmo que seja contra a nossa vontade; mesmo sentindo vergonha, esta é a nossa história. Cabe a nós, adultos, olhar para o nosso país com maturidade e crítica, e educar nossas crianças pra um futuro menos desigual. Reconhecer é um caminho. Errar faz parte do processo e o melhor do erro é ele ser o caminho para o aprendizado. Meu posicionamento sobre racismo estrutural tem sido dado em toda a minha carreira. Basta rolar o feed e você verá que me pronunciei em situações parecidas, como, por exemplo, quando uma marca fez uma estampa “celebrando” a escravidão. Mas evitei comentar quando, recentemente, um menino branco foi fantasiado pela mãe em uma festa como escravo, lembra? Isto porque meu pronunciamento está dado e não mudou. Nem mudará, e não preciso repetir sempre. É tudo a mesma coisa e, como já disse anteriormente, a escravidão deveria estar em livros de história e ter erguido museus para lembrarmos de seu horror e da dor e violência sofridas por seres humanos em mais de 300 anos. Proponho uma reflexão: pq essa imagem continua acontecendo dentro de muitos restaurantes, lugares públicos e lares sem que ninguém se movimente? Pq será que em nosso dia a dia não nos incomodamos e somos coniventes, hein, Brasil?

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Donata Meirelles pede desculpas

No Instagram, Donata Meirelles esclareceu a polêmica: “Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição.”

“Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas”, escreveu.

“Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir”, encerrou.

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