CAIXA PRETA - Mônica Iozzi e "Vídeo Show": a boa metalinguagem está de volta - Portal Overtube CAIXA PRETA - Mônica Iozzi e "Vídeo Show": a boa metalinguagem está de volta - Portal Overtube

CAIXA PRETA – Mônica Iozzi e “Vídeo Show”: a boa metalinguagem está de volta

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Tem gente que vai torcer o nariz para o que vou dizer, mas, sem dúvidas, o maior acerto para o programa vespertino Vídeo Show é a presença de Mônica Iozzi. Dividindo a bancada com Otaviano Costa, a ex-CQC agregou ao programa elementos de improviso e humor que resultaram no aumento da audiência. O formato lembra, bem de longe, o Furo MTV (2009-2013), apresentado por Dani Calabresa e Bento Ribeiro. Com Iozzi na bancada, ao vivo, dá pra ver que muitas vezes ela ri na cara do perigo – não é à toa que vive falando que vai perder o emprego. É muito bom ver a emissora abrindo espaço para a autocrítica e, claro, ver uma atriz que sabe até onde pode chegar com seu humor ácido.

Formada em artes cênicas pela Unicamp (2005), Mônica Iozzi iniciou a carreira no teatro e sua estreia na televisão aconteceu no programa Custe o Que Custar, da Bandeirantes, em 2009. Em janeiro de 2014, anunciando o desejo de retornar à carreira de atriz, Mônica opta por deixar o CQC, depois de um período de mais de quatro anos no time, assinando contrato com a Globo em 2014. Sua participação como comentarista do BBB 14 foi a melhor coisa daquela edição, ofuscando até mesmo o Pedro Bial.

O fato é que vale a pena assistir ao Vídeo Show para ver Iozzi com seu ar debochado, irônico e naquele clima de “não poder gargalhar na biblioteca pública senão seremos expulsos” ao qual ela nos convida a participar. Iozzi lembra uma adolescente deslumbrada com os atores bonitos e com a “vênus platinada”, a toda hora agradecendo a emissora por proporcionar momentos e situações em que muitos dos telespectadores sonham como entrar num camarim lotado de galãs. Ao mesmo tempo, a atriz é consciente de que o universo da televisão é magia, ilusão e um grande palco de teatro.

Imbatível como repórter invasora de festas com celebridades, foi perfeita mostrando os bastidores de um evento de gala da novela Babilônia (02/06), aproveitando para fazer figuração na novela. Sarcástica, anunciou sua participação como figurante, “rindo por dentro” e, em seus comentários, deixando escorrer das entrelinhas a ideia de que a audiência da novela aumentaria.

Sem ser didática e sem medo de errar, Iozzi tem o dom de mostrar como funciona a TV e toda sua linha de montagem, documentando a criatividade das produções e, ainda, rindo de toda essa cultura de massa. O quadro “Falha Nossa”, em que vários erros de gravação são exibidos, agora são comentados e, mais, os apresentadores elegem a cena mais engraçada para rever e rir junto com o telespectador. A boa e velha metalinguagem voltou a reinar na programação da emissora.

Mônica Iozzi brinca feliz com seu novo trabalho, comemora um ano de casa e nos diverte. Como ela mesma diz para tantas atrizes: Mônica Iozzi não é mulher, ela é um evento.

Breve história do Vídeo ShowUm dos programas mais longevos da Globo – são 32 anos no ar –, o Vídeo Show tem algumas curiosidades. Uma delas foi a apresentação por Marcelo Tas (ex-CQC) durante o mês de julho de 1987; e o “roubo” de Renata Ceribelli, repórter do programa Vitrine, da TV Cultura, famoso nos anos 1990 também por revelar a repórter Leonor Correa, irmã de Faustão. O programa da Cultura era apresentado e roteirizado por Marcelo Tas. Mistérios do mundo televisual.

Em 2001, Falabella foi substituído por André Marques. Enfim, mais de três décadas depois, o programa que passou por centenas de mudanças tanto de direção e como de núcleos de produção, passou a ser apresentado em novembro de 2013 por Zeca Camargo. O jornalista conseguiu baixar a audiência da atração a números nunca antes imaginados. As mudanças no programa, evidentemente, causaram estranheza no espectador, acostumado com a metalinguagem e o resgate da memória da emissora.

hertz wendelO publicitário, jornalista e escritor Hertz Wendel é o autor da coluna CAIXA PRETA, publicada quinzenalmente no Portal Overtube. Mestre em Educação, Conhecimento, Linguagem e Arte (Unicamp) e doutor em Estudos da Linguagem (UEL), ministra aulas na graduação e no mestrado de Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e já publicou livros como “Outros Nós: Roteiros Sob a Pele” e “Mito e Filme Publicitário: Estruturas de Significação”. Adora desvendar os mitos e simbologias escondidos na “caixa preta” do universo televisual.

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