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Após cobrir Brumadinho, Mariana Ferrão volta à Globo e desabafa: “Sonho com a tragédia”

Maria Ferrão fez um novo desabafo sobre a tragédia em Brumadinho (Reprodução)

Maria Ferrão fez um novo desabafo sobre a tragédia em Brumadinho (Reprodução)

Mariana Ferrão passou cerca de uma semana em Brumadinho (MG). Ela foi a responsável por cobrir a tragédia que aconteceu na cidade após o rompimento de uma barragem para o Bem Estar.

Nesta segunda-feira (4), Ferrão voltou ao trabalho diretamente dos estúdios da Globo. Antes de chegar, ela publicou um vídeo em seu perfil oficial no Instagram e voltou a desabafar sobre a tragédia.

“Bom dia, gente, chegando para trabalhar aqui na Globo, depois de uma semana lá em Brumadinho, final de semana passei com meus filhos. E tentando me recuperar um pouco do cansaço e de todas as emoções, faz quatro dias que eu sonho com a tragédia, com as pessoas, com a lama”, começou a jornalista.

“Obviamente em vários momentos desse final de semana fiquei, enquanto abraçava os meninos que eu estava com muitas saudades… Pensando em todas as pessoas não vão poder mais abraçar as pessoas que amam. Vamos em frente com a certeza de que a gente está junto tentando fazer o melhor! Um beijo e bom dia para vocês!” desejou Mariana.

Desabafo

Ao voltar para casa na última sexta (1), Mariana Ferrão também fez um relato emocionante sobre seus dias cobrindo a tragédia.

“Avião. Voltando para casa. Vim para Belo Horizonte no dia 25/01 para dar uma palestra. Quando entrei naquele avião, recebi uma mensagem sobre o rompimento da barragem. Começamos nosso evento com um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, sem ter a menor noção da dimensão da tragédia. Depois de uma semana, me arrisco a dizer que ainda não temos. As camadas de dor são tantas e muitas ainda estão escondidas sobre toneladas de lama”.

Ferrão continuou: “No sábado, havia uma angústia esperançosa no ar: centenas de pessoas achavam que iam encontrar seus parentes e amigos vivos. No céu, a lua começava a minguar. E foi minguando, assim como a esperança de cada um, a cada dia. Os olhares atentos a qualquer movimentação foram dando lugar às pálpebras quase fechadas mirando o chão. Gente querendo desviar da própria dor. Mas a dor veio em enxurrada, em avalanche. A lama em lava de vulcão queimando sonhos, destruindo famílias inteiras. O que dizer numa hora desta? Dei abraços, troquei olhares. Gravei entrevistas. E outras não tive coragem de gravar porque, pra mim, naquele sofrimento, não cabia câmera. Só registro no coração”, se emocionou.

Histórias emocionantes

Mariana Ferrão contou, mais especificamente, sobre algumas histórias que a deixaram muito emocionada. “Ontem conheci o seu Edson. Engenheiro geólogo que trabalhou muito tempo na Vale: ‘o que eu construí em 30 anos com a ajuda da empresa, a própria empresa me tirou em um segundo’. O Edson estava com roupa emprestada”, começou a jornalista.

“A única coisa que sobrou da casa em que ele morava foram 11 corpos entre os escombros. Um era o da esposa. Ela avisou o jardineiro, que conseguiu fugir junto com a cozinheira, mas a esposa do Edson voltou para pegar o cachorro. Seu corpo foi encontrado com o cão nos braços. ‘História. Foi tudo que restou’, ele me disse. E eu disse para muita gente que um jeito de não deixar ninguém morrer é carregar para sempre estas histórias no coração”.

“Amar mais”

E não parou por aí: “A do Leo também vai comigo. A esposa dele, Daiana, voltou de licença maternidade no dia do rompimento da barragem. Na hora do almoço fez uma ligação de vídeo para o filhinho de 4 meses, o Heitor: ‘espera a mamãe pra te dar banho’. Conheci o Heitor dois dias depois na porta do IML coletando DNA para ajudar na identificação do corpo da mãe. Enquanto conversava com o Leo, caí no choro e uma enfermeira voluntária que também trabalhou no desastre da Samarco, veio me dizer: ‘A tragédia me ensinou que mais importante do que identificar sinais vitais é a gente perceber o quanto está doente quem não sente a dor do outro. Então chora, chora que faz bem’”.

“Ainda vamos chorar muito. Mas o grande esforço é amar mais. Mais e mais. Os que ficaram e os que foram. Porque saudade é alguém que mora dentro da gente. E eu já tô com saudade de um bocado de gente de Brumadinho”, finalizou Mariana.

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