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Carlos Vereza diz que não se arrependeu “ainda” de votar em Bolsonaro, mas critica gestão da cultura

O ator Carlos Vereza (Reprodução)

O ator Carlos Vereza (Reprodução)

Atualmente, o Brasil não conta com uma grande quantidade de artistas que apoiam o atual governo. Em contrapartida, aqueles que ainda defendem o presidente Jair Bolsonaro continuam com suas opiniões firmes, como é o caso de Carlos Vereza.

O ator, no entanto, revela que existem falhas na gestão da cultura. Ele conversou com a Agência Efe em Madri, capital da Espanha, onde esteve para apresentar o filme O Trampo, primeiro longa-metragem no qual ele é creditado como diretor.

Embora faça uma crítica ao governo, Vereza tenta defendê-lo e explica que a culpa não é exclusivamente do presidente. “Bolsonaro está levando mal a gestão cultural por preconceito dos seus assessores, não dele”, garante o artista.

Carlos Vereza garante que o fato de ter votado no político não o transforma em um fanático. “O seu partido o faz priorizar certas imagens militares, com as quais não estou de acordo. Não posso pedir a Bolsonaro que os seus ídolos sejam Baudelaire, Rimbaud ou Velázquez”, explica.

“Cultura mal explorada”

Depois, o ator diz que o presidente entende que a cultura foi mal utilizada e explorada incorretamente pelos governos anteriores. Por conta dessa percepção, acabou pegando o caminho contrário, indo ao extremo oposto de tudo o que foi feito.

“Ele tem um olhar um tanto sectário para a cultura porque os artistas o criticaram fortemente. Acredito que ainda tem um rastro de vingança e acho que tem que ser mais flexível com a cultura”, disse ele, que não aprova a ideia da Ancine ser transferida do Rio de Janeiro para Brasília.

No que diz respeito à lei de incentivo à cultura, conhecida popularmente como Lei Rouanet, Vereza pede um teto maior nos recursos para os musicais. “O limite passou de 60 milhões para 1 milhão de reais. Com este dinheiro, eu faço dois longas-metragens, mas quem faz um musical, não”, diz.

De forma geral, o ator acredita que o atual governo é muito bom e usa como exemplo medidas positivas como a supressão de impostos à importação de remédios contra câncer e HIV. Ele também citou o viés liberal na economia e diz que isso não sai na imprensa que, segundo ele, é de esquerda.

Por fim, Carlos Vereza diz que “ainda” não se arrepende de ter votado em Bolsonaro, mas garante que pode mudar de ideia se passar a discordar do que o governo fizer daqui pra frente.

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