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Christiane Torloni detona ações de Bolsonaro: “Não me representa”

Christiane Torloni em participação no Conversa com Bial, da Globo (Reprodução/Gshow)

Christiane Torloni em participação no Conversa com Bial, da Globo (Reprodução/Gshow)

Atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro não é uma figura muito querida entre o mundo artístico. Sempre criticado pelos famosos que defendem a arte e o meio ambiente, ele acaba de receber mais uma declaração de oposição, agora vinda da atriz Christiane Torloni.

Indignada com as queimadas que acontecem na floresta amazônica, a artista da Globo conversou com o portal UOL a respeito do documentário Amazônia – O Despertar da Florestania, que marca sua estreia como diretora.

Durante a conversa, ela fez questão de deixar bem claro seu incômodo com as políticas ambientais do governo de Bolsonaro. “É inacreditável como as coisas se desconstituíram. Cada dia que passa, o filme parece mais ter sido feito por encomenda”, inicia ela.

“É impressionante como não existe ninguém que saia indiferente do cinema. Estou muito orgulhosa. As pessoas estão se emocionando. Durante muito tempo, a população se blindou em relação a essa questão da Amazônia”, seguiu.

Produção apartidária

Christiane Torloni quis deixar bem claro que o documentário é apartidário e revela que prefere distância da política. “O afastamento foi consciente. Resolvi fazer esse documentário para encerrar um ciclo. As pessoas me pressionaram muito. Decidi me manifestar sobre um assunto sobre o qual devo e posso opinar. Este filme é a grande resposta que eu tenho”.

A indicação do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles também é um incômodo. “A indicação dele é uma mensagem clara que o governo deu. Não tem milagre nesse sentido. Se você pega os depoimentos que foram dados desde o primeiro momento pelo ministro do Meio Ambiente, você vê o histórico que ele tem, você acha que essa pessoa é ministrável? Ele tem a expertise necessária para estar nessa pasta?”, questiona.

“Quem votou no atual presidente da república sabia o que ele iria fazer. Se tem uma coisa de que não é possível acusá-lo é de ter mentido sobre isso. Agora, as pessoas dizem que não foi bem assim. Ele foi claro e taxativo. Por isso, quem faz parte de qualquer tipo de instituição, ONG ou iniciativa nesse sentido já estava preocupadíssimo durante a campanha eleitoral, caso ele fosse eleito”, continuou.

Preconceito como ativista

Torloni também discorda da opinião, sem provas, de Bolsonaro, que acusa ONGs de terem ligação com as queimadas. “Não acredito. Com a relação que tenho com o Green Peace, por exemplo, que está comigo no filme, eu não posso imaginar que gente que tem sua vida inteira dedicada ao meio ambiente faça isso”, afirmou a atriz.

Ainda na conversa com o UOL, a artista diz que sofre preconceito como ativista ambiental. “Existe uma desconfiança muito grande com relação a nós, artistas. Perguntam por que eu não continuo fazendo minha ‘pecinha de teatro’? Por que estou me metendo aqui? Escuto essas coisas desde as Diretas Já”, dispara.

Por fim, Christiane falou sobre erros de políticas ambientais e da falta de educação da população. “Por isso o filme começa nas Diretas Já. Um grande número de pessoas que estavam lá traiu o movimento que deveria ter acontecido com a redemocratização. Nós não chegamos onde estamos por acidente. Foram políticas equivocadas. A educação deste país está se desfazendo, e isso não vem acontecendo há quatro ou cinco anos, mas há décadas. Tomar conta da Amazônia tem a ver com tudo isso”, opinou.

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