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Apresentadora do Jornal Nacional critica volta do goleiro Bruno: “feminicida”

Jéssica Senra apresentou no Jornal Nacional (Foto: Reprodução/TV Globo)

Jéssica Senra apresentou no Jornal Nacional (Foto: Reprodução/TV Globo)

Apresentadora do Jornal Nacional por um dia, a jornalista Jéssica Senra detonou a volta do goleiro Bruno aos campos na posição de ídolo do futebol.

Ao comentar as negociações do goleiro Bruno para atuar no Fluminense de Feira de Santana, Jéssica Senra se posicionou sobre o assunto na TV Bahia afiliada da Globo no estado nordestino.

“Uma pessoa que cometeu um erro, que já pagou por ele em termos judiciais precisa e pode refazer sua vida. E legalmente, não há nenhum impedimento para que ela exerça qualquer profissão para o qual esteja habilitado”, disse a apresentadora, que comandou o Jornal Nacional no dia 7 de setembro, como parte das homenagens aos 50 anos do jornalístico.

Em seguida, ela continuou: “No caso do feminicida Bruno e a profissão de atleta, eu quero questionar você que está aí do outro lado: isso é moral?”.

O goleiro Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão acusado de ter envolvimento na morte da modelo Eliza Samúdio. Contudo, passou para o regime semi-aberto em outubro do ano passado, quando foi liberado para jogar num time de Poços de Caldas.

“Desejamos e precisamos que pessoas que cometem crimes tenham a possibilidade de refazer suas vidas. Mas diante de um crime tão bárbaro, tão cruel. Poderíamos tolerar que o feminicida Bruno voltasse à posição de ídolo? Que mensagem mandaríamos para a sociedade?”, disse Jéssica Senra ao vivo no Bahia Meio Dia.

E completou: “Atletas são referências para crianças, para adultos, são ídolos. Contratar para um time de futebol um assassino, um homem que mandou matar a mãe do seu filho, esquartejar, dar o corpo para os cachorros comerem é um desrespeito. É um desrespeito a todas nós mulheres”.

Jéssica Senra critica time de futebol que negocia com goleiro Bruno

Ainda no Bahia Meio Dia, da afiliada da TV Globo, Jéssica Senra continuou a comentar sobre a negociação do goleiro Bruno pelo Fluminense de Feira.

“É um desrespeito para toda a sociedade num país em que 12 mulheres são mortas todos os dias. E mais: colabora com a ideia de que matar mulheres é permitido. Desde que você cumpra sua pena ou parte da pena, como é o caso de Bruno. Depois você pode viver sua vida normalmente. Não, gente. Não pode”, analisou.

“Portanto, na minha visão, o feminicida Bruno pode e deve voltar a trabalhar e refazer sua vida, mas não na posição de ídolo. Não alçado socialmente a uma posição de admiração. Um time de futebol que contrata um feminicida como Bruno é tão desprezível quanto os crimes que ele cometeu”, finalizou.

Cabe lembrar que Jéssica Senra voltará a bancada do Jornal Nacional como apresentadora em 2020.

Assista ao vídeo:

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Eu acredito na recuperação do ser humano. Acredito que a maioria das pessoas merece outras chances depois que comete erros, porque errar é da essência humana. O perdão é um dos sentimentos mais belos que podemos cultivar. Mas perdoar alguém não significa esquecer o que esse alguém fez nem permitir que esse alguém continue em nossa vida. Perdoar e dar uma nova chance não apaga o que foi feito, não se pode fingir que nada aconteceu. Embora juridicamente o cumprimento de uma pena libera o condenado para seguir sua vida normalmente, é socialmente que precisamos pensar no que toleramos ou não. Nem tudo é apenas questão de lei. Há comportamentos legais que são imorais. Um condenado pode e deve ser ressocializado. Deve merecer uma segunda chance. Mas penso que, depois de um crime tão perverso, voltar a ser ídolo, a estar numa posição que lhe confere status de ídolo, é bastante questionável. Penso que o feminicida deve voltar ao trabalho, mas não no futebol, não como ídolo. Defendo sua ressocialização, mas longe de qualquer torcida. E isso não é a lei que vai decidir. É a sociedade. E se ele tivesse estuprado um bebê? O que os “fãs” diriam? Lembro que há pouco mais de dois anos, jogadores foram flagrados num vídeo masturbando uns aos outros no vestiário de um clube gaúcho. Os quatro jogadores foram dispensados. Seus nomes, inclusive, foram poupados para evitar que eles fossem banidos do futebol. E é bom que fique bem claro: eles não cometeram crime algum, não fizeram nada contra a vontade de ninguém! Mas, absurdamente, a homossexualidade ainda é intolerável no futebol. Ser feminicida é aceitável? O que você pensa disso? #NãoAoFeminicídio

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Paulo Victor
Professor e entusiasta da sétima arte, atua na internet há mais de dez anos produzindo conteúdo sobre séries e cinema, aprecia a dramaturgia para as diferentes telas.
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