Comentários da primeira semana de "AMOR À VIDA" - Portal Overtube

Comentários da primeira semana de “AMOR À VIDA”

amor à vida

O entretenimento está de volta ao horário nobre da Globo. Isso ficou claro com a primeira semana de Amor à Vida, que estreou no dia 20 (segunda-feira) com a missão de deixar para trás o insucesso de Salve Jorge. O folhetim de Walcyr Carrasco (Gabriela) tem todos os ingredientes necessários para agradar em cheio aos noveleiros de plantão.

Os dois capítulos iniciais surpreenderam pelo ritmo frenético, focados no nascimento e o sequestro da filha de Paloma (Paola Oliveira) e o encontro da menina pelo sofrido Bruno (Malvino Salvador). A linha narrativa adotada pelo autor, repleta de coincidências absurdas, foi menos verossímil do que a situação similar em Maria do Bairro, mas nem por isso deixa de ser boa. Ao contrário, deixa claro o compromisso de Carrasco com o folhetim puro e clássico, ainda que com matizes modernas. A partir do terceiro capítulo, o ritmo começou a correr de forma mais tradicional, mas não menos atrativa, focando outras fortes emoções como a descoberta por Edith (Bárbara Paz) de que seu marido, Félix (Mateus Solano), era gay.

Mateus Solano está soberbo no papel de Félix. O ator vestiu perfeitamente todos os tons do personagem e já roubou a cena na história, muito antes do que se podia prever. Destaque para as cenas em que alfineta a sogra, Tamara (Rosamaria Murtinho). Paola Oliveira segurou bem toda a carga dramática de Paloma e convenceu inclusive na transição-relâmpago de Paloma, de jovem ingênua e inconsequente para uma segura pediatra. Malvino Salvador tampouco se vê mal, apesar de ter decepcionado um pouco nas cenas mais dramáticas de Bruno.

Quem está decepcionando no núcleo central é Juliano Cazarré. Depois de ótimos papéis como o Adauto de Avenida Brasil (2012), é estranho que ele esteja tão desafinado na pele do riponga Ninho. Cazarré acertou em algumas cenas, mas em outras escorregou feio, como na discussão que tem com Paloma no hospital, em que explica como sua passagem pela prisão quase acabou com seu “lado luminoso” (argh). Precisa melhorar.

O núcleo cômico também é um acerto, encabeçado por Elisabeth Savalla e Tatá Werneck na pele das golpistas Márcia e Valdirene, mãe e filha. A ex-MTV divertiu muitíssimo nas sequências em que Valdirene invade o quarto do jogador Neymar para tentar seduzi-lo. Destaque ainda para seu tema, Piradinha (Gabriel Valim), que se encaixou como uma luva na personagem e nas situações que a envolvem.

Amor à Vida só pecou pela falta de uma participação maior da atriz Klara Castanho, que vive Paulinha, nestes primeiros capítulos. Sua personagem é fundamental para a trama principal do merecia ter tido mais espaço, até porque, nas poucas cenas em que apareceu demonstrou estar muito à vontade no papel.

A abertura não convenceu, com uma arte estática e simplória demais, que já faz dela uma das piores dos últimos anos.  A trilha Maravida, na voz de Daniel, é de uma péssima sonoridade, que chega a incomodar. Um caso para a Globo repensar, já que, afora isso, Amor à Vida tem tudo para decolar no Ibope.

(Felipe Brandão)


Philippe Azevedo
Escreve sobre televisão e famosos desde 2008
https://portalovertube.com/
Top