“CORAZÓN INDOMABLE” – Primeiras impressões da nova “Marimar”

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Corazón Indomable (Coração Indomável) é uma das principais apostas da Televisa neste ano de 2013, tanto para a audiência mexicana como o mercado internacional. Tudo porque o folhetim, que estreou na última segunda-feira (25) em substituição ao sucesso Corona de Lágrimas, é uma nova versão da antológica novela Marimar (1994), protagonizada por Thalía e Eduardo Capetillo e até hoje um dos maiores sucessos do grupo. Velha conhecida do público brasileiro, Marimar é parte integrante da famigerada “Trilogia das Marias”, junto a Maria Mercedes (1992) e Maria do Bairro (1995).

Primeiramente, é importante lembrar que Corazón Indomable não se baseia diretamente em Marimar, mas na trama venezuelana La Indomable (1975), a mais antiga versão da história. São notórias, portanto, algumas diferenças entre Marimar e Corazón Indomable. Por exemplo: os personagens de Eduardo Capetillo (Sérgio) e Alfonso Iturralde (Renato), que eram pai e filho em Marimar, hoje remontam ao parentesco original de irmãos (Daniel Arenas/Octavio e René Strickler/Miguel) que havia em La Indomable.

Mas vamos aos comentários. O capítulo de estreia contou com um ritmo algo modorrento e didático, mas foi bastante eficaz na apresentação dos personagens. A qualidade técnica não deixa dúvidas quanto à superioridade sobre Marimar. também são infinitamente superiores às de Marimar. Movimentos de câmera, fotografia e principalmente os cenários, tudo se coloca bem acima da trama de 1994 – que, não obstante seu carisma e sucesso de público, era indiscutivelmente mal produzida.

Ana Brenda Contreras faz uma leitura digna da protagonista, Maricruz, embora, na inevitável comparação com Thalía, saia perdendo. Ela está encarando bem o desafio de recriar a personagem mitificada pela intérprete de Piel Morena, mas poderia trabalhar melhor algumas características da heroína – o romantismo, a ingenuidade, a picardia, tão bem reunidas em Marimar – a fim de demarcá-la e torná-la mais cativante.

Daniel Arenas, que vive seu par, o milionário Octavio Narváez, também se vê bastante expressivo e natural. Pode-se até dizer que supera Eduardo Capetillo. O problema é que seu romance com Maricruz ainda não revelou a química esperada, diferente do que ocorreu com Marimar e Sérgio (Capetillo), cuja empatia com o público foi imediata.

O elenco de Corazón Indomable se sobressai pela naturalidade, o que também é mérito da direção de Víctor Fouillox e Víctor Rodríguez. René Strickler (Miguel), que, em um papel de coadjuvante maduro, parece ter deixado para trás os tempos de galã de novela; Isadora González, como a recatada Simona; María Elena Velasco, importando para o contexto da novela sua clássica personagem, a “Índia María”; e Gaby Mellado, que fez uma simpática estreia na pele de Solita, a irmã muda da protagonista. Quem tampouco deixa de se destacar é Carlos Cámara Jr. (Eusebio), repetindo um protótipo em que vem se tornando especialista: o de homem rude, truculento e de caráter duvidoso. Praticamente um Russo (Adriano Garib) de Salve Jorge com matizes mais carregadas.

Agora, quem parece não se adequar em nada a esse contexto é Elizabeth Álvarez. A atriz está totalmente forçada na pele de Lucía Narváez, a cunhada de Octavio e grande vilã da história. Suas expressões são tão robóticas e exageradas que mais parecem às de uma modelo de merchandising naqueles programas de quinta categoria. Só faltou olhar diretamente para câmera com aquele sorriso alargado e piscar para o espectador – o que, em algumas sequências, parecia a ponto de realmente acontecer.

Corazón Indomable deixou boas impressões para o primeiro capítulo. Resta aguardar o desenrolar desta semana para se ter uma percepção mais clara dessa nova produção de Natallie Lartilleux (Peregrina).

(Felipe Brandão)

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