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Crítica da novela “VERANO DE AMOR” (México, 2009)

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Verano de Amor é produzida por Pedro Damián, o mesmo do sucesso Rebelde (SBT / Boomerang). O folhetim mexicano é uma adaptação da aclamada obra argentina Verano del 98 (Telefe, 1998-2000), que por sua vez se baseia no início de Dawson’s Creek (EUA, 1998). Uma história de amor e drama adolescente que, apesar de contar no elenco principal com a cantora Dulce María, da banda RBD, amargou baixíssimos índices de audiência na TV local e acabou terminando com míseros 120 episódios.

O programa apresentou uma proposta interessante em seus primeiros capítulos, mantendo aquele tom bucólico, sincero e algo melancólico herdado das obras originais. Verdade que era um tanto estranho ver jovens de mais de 20 anos, como Dulce María e seus companheiros, representando papeis de adolescentes, mas isso é mais ou menos explicado por uma situação de bastidores – Verano del 98 foi escrito pela autora argentina em paralelo com o quarto ano de Chiquititas, daí a semelhança de temáticas. Teria sido um mero detalhe, se problemas maiores (e irreversíveis) não surgissem em seguida.

Ao invés de investir na ação e na emoção que a sinopse original tornava propícias, Damián recheou sua novela com cenas de humor patéticas e apelativas, com o único intuito de atrasar o desenvolvimento da história e assim garantir a produção de mais capítulos – técnica que deu mais ou menos certo em Rebelde. Verano de Amor se tornou uma espécie de Malhação mexicana, só que mais vulgarizada e mais sem história – e a audiência, é claro, respondeu à altura.

Felizmente, a equipe percebeu o equívoco a tempo de promover uma reviravolta e salvar a qualidade do produto. Verano voltou a investir naquilo que sempre deveria ter sido seu foco, o avanço do enredo, e seu desempenho melhorou notavelmente. Isto é, ao menos para a crítica; no Ibope, os números continuavam baixos. Independente disso, Verano de Amor apresentou-se como uma trama cheia de intrigas, romances, revelações e ação, ingredientes indispensáveis à qualquer novela. Destaque para o casal Dylan e Zoé, os quais, vividos pelos ótimos Brandon Peniche e Cristina Masón, foram a sensação da trama, com a velha história dos amigos de infância que se apaixonam ao entrarem na adolescência.

Por volta do capítulo 80, a atração passa novamente por mudanças drásticas, inaugurando uma “segunda fase” – com direito a nova abertura e novo tema musical. A partir daí, os personagens de Dulce María (Miranda) e Gonzalo García (Mauro) são promovidos a protagonistas, coisa que já era prometida para Dulce desde a pré-produção, mas que só aconteceu efetivamente agora. Já Dylan e Zoé, os protagonistas originais, foram delegados a segundo plano, e ainda assim com bem menos história do que antes. É notório também o quanto o texto de Miranda e Mauro, antes leve e romântico, torna-se mais melodramático – talvez a intenção fosse repetir o sucesso da também ex-RBD Maite Perroni no dramalhão Cuidado com o Anjo (recém-estreado no Brasil pelo SBT).

Uma ala de Verano de Amor que sempre esteve em alta foi o núcleo protagônico adulto, encabeçado pelo casal Dante (Mark Tacher) e Flora (Victoria Díaz). Até mesmo durante aquele início péssimo, a ala referente ao romance deles foi poupada da catástrofe em que o núcleo juvenil estava se transformando. Os mistérios envolvendo Dante, as indecisões amorosas de Flora, mais o impasse entre ser amante de Othón (Juan Ferrara) e amiga da mulher dele, Sofía (Lola Merino), constituíram sempre um pólo de atração forte para a novela. Mesmo durante a tal “nova fase”, quando grande parte do quadro desandou, o núcleo de Dante e Flora só ganhou incrementos inesperados que o tornaram ainda mais interessante. Foi, enfim, um bote salva-vidas no enredo enquanto outros núcleos naufragavam.

O elenco teve seus altos e baixos. A própria Victoria Díaz foi uma grata surpresa para a novela. Ela provou ser muito mais do que a esposa do produtor Pedro Damián e desbancou qualquer preconceito ou boato quanto à natureza de sua escalação. Seu par, Mark Tacher, esteve impecável como Dante, papel que lhe caiu como uma luva. Dulce María, mais que competente, foi digna: apesar de todo o marketing de que foi alvo na divulgação da novela, sua atuação sempre esteve nos tons acertados às várias fases de sua personagem. Gonzalo García começou bastante fraco, mas aos poucos acertou o tom de sua atuação como Mauro – a diferença de Pablo Lyle, sempre carente de expressão em seu co-protagônico Baldomero. Vale ressaltar ainda o desempenho dos consagrados Juan Ferrara (como o terrível vilão Othón Villalba) e Enrique Rocha (apesar do papel pequeno), e das novatas Karla Souza (Dana), María Elisa Camargo (Isabela) e Andrea Damián (Milena).

Na contrapartida, lamenta-se o desperdício de Natasha Dupeyrón e Iago Muñoz (a Natália e o Nico de Miss XV) como os pretensamente cômicos Enzo e Berenice. No começo, suas peripécias até divertiam, mas depois enveredaram para certos exageros que, típicos dos papéis “humorísticos” de Pedro Damián, só os fizeram desagradáveis. A parte em que Berenice se faz passar por sua “prima” Greta, a qual tinha tudo para ser interessante, foi ridícula. Natasha Dupeyrón estava construindo uma carreira sólida na Televisa, mas aceitar fazer Verano de Amor foi para ela um tiro no pé, visto que sua própria interpretação como Berenice deixou a desejar.

Incompreendida por muitos, vítima de suas próprias pretensões, Verano de Amor soube dar a volta por cima do início ruim e firmar-se como um produto digno, de qualidade, e inclusive bem melhor do que suas precursoras Rebelde e Lola, Érase Una Vez (2007). Contando com poucos nomes de peso e trazendo muitos lançamentos, provou que a fama é irrelevante dentro de um elenco que se destaca pelo talento. Seu grande erro foi ter despertado para a realidade do público quando já não havia mais tempo de recuperar os números de audiência…

(Felipe Brandão)

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