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Jornalistas da TV Brasil afirmam que sofrem censura ao cobrir caso Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018 (Reprodução)

A vereadora Marielle Franco, morta em março de 2018 (Reprodução)

O assassinato da vereadora Marielle Franco completará dois anos no próximo mês de março. Desde então, muita gente espera respostas a respeito do crime que ganhou grande alcance nacional e continua sendo discutido por autoridades.

Na televisão, as emissoras ainda falam a respeito do caso. No caso da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), que é a mantenedora da TV Brasil, a situação dos jornalistas que trabalham na cobertura do caso não é das melhores.

De acordo com o site Notícias da TV, profissionais de imprensa que trabalham no veículo enviaram uma carta à cúpula da emissora, endereçada diretamente à Cristiane Samarco, diretora-geral, e Sirley Batista, diretora de Jornalismo.

Segundo a publicação, os jornalistas reclamam da demora para se noticiar o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro a respeito, além de denunciarem que estão sofrendo censura para tratar o caso.

Uma fonte enviou a carta a Robson Bonin, da revista Veja. Ele revelou que os profissionais afirmam que a EBC noticiou os fatos publicados pelo Jornal Nacional no final de outubro apenas 15 horas depois que as reportagens foram exibidas. Os funcionários ainda pedem que uma reunião seja feita com a diretoria e afirmam que isenção é essencial para manter a credibilidade jornalística. Leia a carta na íntegra a seguir.

A carta enviada à diretoria da EBC

“Prezadas Sirley Batista e Cristiane Samarco,

Os jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação vêm, por meio deste, questionar o motivo que levou os veículos da EBC a entrarem tão tardiamente na cobertura da repercussão sobre as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Levamos mais de 15 horas depois da fala do presidente da República, que veio a público dar suas explicações, por meio de uma transmissão ao vivo nas redes sociais, para publicar a primeira reportagem sobre o assunto na Agência Brasil. Passadas mais de 17 horas o tema continua silenciado nas nossas rádios.

Importante lembrar que se as reportagens de outros veículos nem sempre viram pauta na EBC, as transmissões da Presidência da República são, constantemente, cobertas pelos nossos veículos e estão sempre nas pautas. É grave a postura da empresa que foge do seu papel de noticiar oportunamente, com credibilidade e isenção esta informação.

Tanto a sociedade brasileira como agências e veículos internacionais de notícias procuram a EBC como fonte de notícia. Exigimos respostas da direção e repudiamos mais uma vez a censura a que estão submetidos os veículos da empresa, que os impede de noticiar questões relevantes como essa.

Nesse sentido, solicitamos uma audiência com a diretora de jornalismo com participação da ouvidoria da empresa para debater o silêncio, em alguns casos, e a demora em relação a esta pauta. Mais uma vez lembramos que a EBC é uma empresa de comunicação pública, com missão definida, função constitucional assegurada e um manual de jornalismo que deve nortear todas as nossas coberturas e não ser esquecido no fundo da gaveta quando convém.

A decisão editorial equivocada de silenciar, ou avaliar com longa espera, sobre a notícia mais importante do dia faz com que a EBC perca o respeito e a credibilidade perante a sociedade, a quem devemos servir. Incapaz de fazer a pauta sumir dos noticiários, o silêncio da EBC sobre ela apenas torna patente para o cidadão a linha editorial chapa-branca que hoje vigora no jornalismo da empresa. Aguardamos uma resposta sobre nosso pedido de audiência.”

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