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Um olhar sobre a estreia de “EM FAMÍLIA”

leicam e helena

Quem assistiu ao primeiro capítulo de Em Família ontem (segunda-feira, 3) não teve dúvidas: Manoel Carlos está de volta ao horário nobre da Globo. A trama, que estreou em substituição a Amor à Vida, ressuscita diversas características marcantes da obra do autor, da heroína indelevelmente batizada de Helena – interpretada por três atrizes diferentes nas várias fases da novela – à despreocupação com a agilidade narrativa, justificada na obra do autor pela proximidade com o dia-a-dia da audiência.

O ritmo morno da estreia de Em Família, porém, não se baseou na a típica “crônica do cotidiano” de Maneco. Ao contrário: o texto que vimos ontem não poderia ter sido mais didático e enfadonho, dando um tom de teleteatro à apresentação dos personagens. A exceção única foi a sequência em que Helena (Juliana Dalavia) se afoga e é salva por Laerte (Eike Duarte) e Virgílio (Arthur Aguiar) – a que ainda cabe um mérito extra da atriz-mirim Giovanna Rispoli, cujas expressões deram a dimensão exata da maldade precoce de Shirley, que se recusa a ajudar Helena e deleita-se em vê-la de longe se afogando.

O elenco causa certa estranheza pela ausência de atores mais conhecidos, o que só deve durar as duas primeiras fases da história. Boa parte deles é competente e tem potencial, como Juliana Araripe (Chica), Jéssica Barbosa (Neidinha) e Camila Raffantti (Selma), mas os jovens protagonistas foram um problema. Júlia Dalavia é de uma notável beleza adolescente, porém como atriz ainda é muito verde. Isso sem falar que seu tom de pele moreno em nada combina com o de Júlia Lemmertz, que interpretará Helena na terceira fase da história. Na pele de Laerte, Eike Duarte soou romântico e “doce” demais para quem pretendia convencer como um adolescente ciumento.

A segunda fase da história se iniciou naquele mesmo capítulo, trazendo novos ares com a chegada de Bruna Marquezine e Guilherme Leicam aos papéis principais. Bruna se vê bastante afinada e segura no papel de Helena. O mesmo não se pode dizer de Leicam, que está simplesmente péssimo como Laerte, inexpressivo e inseguro em cena. Isso que o ator parecia ter evoluído bastante no decorrer da última temporada de Malhação, a qual protagonizou em 2013.

O primeiro capítulo de Em Família decepcionou pela falta de agilidade, o que de certa forma é preocupante – estaria Manoel Carlos prestes a repetir o ritmo das enfadonhas Páginas da Vida (2006) e Viver a Vida (2009) ao invés de retomar a linha cativante de trabalhos antigos, como Mulheres Apaixonadas (2003) e Laços de Família (2000)? Ainda é cedo para dizer, mas sejamos otimistas e esperemos que não. Afinal, é tudo de que a Globo NÃO precisa agora em seu horário nobre.

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