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Crítica: “CORAÇÃO INDOMÁVEL” – Um olhar sobre a estreia

Reciclar velhas histórias é a especialidade do SBT em sua dramaturgia – seja nas reprises ou nos remakes. A nova estreia da emissora, Coração Indomável, não foge em nada a essa linha: embora inédita, a novela mexicana produzida em 2013 é uma revisitação de Marimar (1994), um dos folhetins mais recordados da Televisa e do próprio canal de Silvio Santos. Para se ter uma ideia, Marimar é parte da famigerada Trilogia das Marias, foi protagonizada por Thalía e exibida no Brasil nada menos do que cinco vezes, quatro delas pelo SBT.

O primeiro capítulo mostrou que Coração Indomável seguirá a mesma linha de sua versão anterior, permitindo-se apenas pequenas mudanças. O galã, Otávio (Daniel Arenas), por exemplo, já começa a história em conflito com o irmão mais velho, Miguel (René Strickler), pela herança de seus pais – em Marimar, Sérgio (Eduardo Capetillo) disputava os bens deixados pela finada mãe com o próprio pai, Renato (Alfonso Iturralde). Otávio e Sérgio também têm profissões diferentes – o de Coração Indomável é piloto de avião, enquanto o de Marimar sonhava em ser jogador de futebol. Por fim, existe aqui uma irmã surda-muda para a mocinha Maricruz (Ana Brenda Contreras), chamada Soledade (Gaby Mellado) – personagem inexistente em Marimar. Nenhum desses detalhes, porém, deve alterar significativamente o desenrolar do enredo, permanece bastante fiel à versão de 1994 – que, diga-se de passagem, também é um remake; a original remonta à Venezuela da década de 1970.

O que mais chama a atenção em Coração Indomável é que tão longínqua criação ainda consiga manter atual seu apelo junto ao público. O primeiro capítulo girou praticamente todo em torno do despertar amoroso da inocente Maricruz pelo rico Otávio, que mantém certo distanciamento dessa jovem humilde e sem educação, quase selvagem, ao mesmo tempo em que a trata com singular deferência. Pode parecer batido, clichê, e de fato o é – mas seu acerto está em resgatar uma aura de pureza e romantismo que vinham fazendo falta à TV aberta. É nisso que reside o charme da novela.

É visível também a evolução técnica da Televisa nesse intervalo de quase duas décadas que separam as duas versões da história. A cenografia de Coração Indomável não beira a excelência, de modo algum, mas tem um acabamento superior à de Marimar e inclusive de Sortilégio, sua antecessora direta no Brasil. Existe também um capricho a mais na edição, na transição entre as cenas e até na fotografia – algo interessante se observarmos que as locações rurais onde acontecem as externas estão longe de serem um primor em beleza e exuberância.

Coração Indomável reafirma a vocação do SBT em reciclar antigos sucessos uma e outra vez, ao mesmo tempo em que também aponta para a eficácia de um enredo que tinha tudo para apresentar certo desgaste. Repleta de clichês e isenta de grandes pretensões, a trama pode justamente por isso acabar repetindo o êxito das incontáveis reprises de Marimar. É aguardar para ver.

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